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Internet como coadjuvante. Até quando? Abril 3, 2008

Posted by Mora in Bala perdida, homicídio, violência contra mulher, Índices e estatísticas.
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O bom da Internet é que há uma pré-disposição para a divulgação dos mais variados estudos, estatísticas, índices e outros dados relevantes à segurança pública no Brasil que, anteriormente, ficavam restritos aos meios acadêmicos por falta de espaço, tempo ou mesmo vontade jornalística para publicá-los.

O ruim da Internet é quase nunca este material recebe um tratamento jornalístico ou então nem mesmo acrescenta elementos extra-texto para complementá-lo e, assim, ajudar o internauta a entender os dados que são sendo fornecidos.

Os últimos dias os portais foram pródigos neste sentido. Publicaram vários estudos e estatísticas, mas apenas com o objetivo de fazer registro e nada mais. No último dia 27, por exemplo, o IG noticiou pesquisa do CNI/Ibope, na qual constata que 53% dos brasileiros estão descontentes com a segurança. A nota elenca uma série de indíces de difícil apreensão. E, infelizmente, não há informações básicas, como as regiões pesquisadas, o número absoluto de entrevistados, faixa etária. Enfim, quem foi o brasileiro pesquisado.

O Rio de Janeiro, dada a sua situação atual, de descalabro público em quase todas as áreas, mas principalmente na segurança e na saúde, é objeto dos mais variados estudos, alguns mais elaborados que outros. O Terra, por exemplo, replicou matéria de O Dia sobre o aumento na criminalidade nas regiões norte e oeste do Rio de Janeiro, devido à falta de policiamento ostensivo. Sinceramente, não li o material de O Dia no suporte papel, mas muito provavelmente o Terra eliminou todo o material de apoio, como infográficos e artes.

Em outro balanço, o UOL publicou, com texto da Agência Estado, a esmo números do Relatório Temático Bala Perdida, divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança do Rio. Pelo tal relatório, 21 pessoas morreram vítimas de bala perdida no Estado em 2007. O maior problema aí, me parece, é a falta de contestação a estes números – e aos outros divulgados. E o Terra acrescentou ao drama carioca, em números absolutos, a debandada de homens do efetivo policial do Estado: Rio perde 5.975 policiais militares em seis anos.

E em 31 de março o Terra noticiou: Estudo: crime ocorre mais com mulher branca e rica. A nota registrava uma matéria publicada originalmente pela Folha de S.Paulo no mesmo dia com base em dados do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, que mostrava que mulheres brancas, com nível superior, residentes de áreas nobres e que moram em casas são os alvos mais fáceis dos criminosos. A nota do Terra não diz onde, quando e nem quem são estas mulheres.

Que a mulher é uma vítima preferencial de bandidos, não é novidade alguma. O problema da pesquisa divulgada pela Folha é que foi feita com as próprias vítimas em potencial. Ou seja, mulheres que moram numa área nobre, com nível superior, é branca e vive numa casa. Na boa, mulheres pobres, negras e mulatas, convivem diariamente com todo o tipo de violência. A principal diferença é que não devem prestar queixa. Pior ainda: assimilam esta violência como fazendo parte de suas rotinas diárias. Por isso, não se lamentam e não se sentem ameaçadas.

Para resumir: quem quissesse saber mais sobre o estudo que comprasse a edição da Folha de S.Paulo daquele dia. E passou da hora de a Internet deixar de ser coadjuvante para se tornar protagonista como veículos de comunicação. Não basta mais apenas registrar; é necessário que a Internet se comporte realmente como um fonte de informação segura para o sempre crescente número de usuários de computadores no Brasil.

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