Quando a violência explode Fevereiro 3, 2009
Posted by Mora in Violência policial, violência infantil/juvenil.trackback

- Blindado da Tropa de Choque da PM invade a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo
Favelas nas grandes cidades são barris de pólvora prestes a explodir, o que acontece com certa frequência no Rio de Janeiro e começa, aos poucos, a se tornar rotina também em São Paulo. A mistura explosiva é um misto de desemprego, baixa instrução escolar, tráfico de drogas, violência doméstica, falta de infraestrutura e de opções de lazer e, claro, uma absoluta ausência de estado, que deixa de suprir várias destas necessidades em uma região extremamente carente.
Para acender o estopim e incendiar esta mistura, basta um aceno de mão de traficantes, cientes das plenas frustrações que toda uma geração perdida de jovens carrega, sem quaisquer expectativas de futuro a não ser o de seguir a mesma trilha no tráfico. O resultado são dezenas de jovens enfurecidos e dispostos a destruírem tudo o que veem pela frente, como carros e lojas, sem qualquer motivo que justifique tais atos. Puro vandalismo.
Os relatos dos moradores da favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, são bem parecidos: dezenas de jovens, como hordas bárbaras, ameaçando, roubando, destruindo tudo o que viam pela frente. E o estado completamente ausente, incapaz de apagar o rastilho da pólvora antes da explosão. Depois da terra arrasada, vem a resposta, desproporcional e na direção errada: a tropa de choque, com todo o seu aparato e os blindados, tipo “Caveirão”, que fez fama junto com o Bope, invade a favela e espalha mais terror.
E para deixar claro que o estado finalmente se fez presente, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, vai até o local para afirmar que a situação é grave, “mas que está controlada”. De repente, uma frase enigmática: “Não podemos responder violência com violência. Temos de responder dentro da legalidade. É o preço que se paga”. Que preço é esse que se paga? Seria o preço da ausência de estado, que não cumpre o seu papel!? E quando resolve cumprir é tarde demais? Mais Paraisópolis virão. E com cada vez mais frequencia… É o preço que pagamos.
Comentários»
No comments yet — be the first.