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Conceito infeliz: ‘direitos humanos só defendem bandidos’ Maio 28, 2009

Posted by Mora in Violência policial, corrupção, Índices e estatísticas.
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Foi divulgado nesta quinta-feira (28) o Relatório Anual da Anistia Internacional (organização não governamental que luta por direitos humanos em todo o mundo) em 2008. Em entrevista ao portal UOL, o coordenador da Anistia Internacional para assuntos brasileiros, o britânico Tim Cahill, afirmou que “existe um conceito infeliz no Brasil que é que os direitos humanos só defendem bandidos”.

Infelizmente, não há como deixar de concordar com ele. E as pessoas que mais proferem tal absurdo são as que mais têm seus direitos violados neste país. Mesmo assim, manipuláveis que são dada suas condições de excluídos e marginalizados, perpetuam e propagam um discurso reacionário que só interessa a uma elite encastelada no poder – político e econômico – deste país.

Como consequência, várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer àqueles que não acreditam nos direitos humanos, segundo o ativista. Os exemplos são vários e estão citados na matéria do UOL. O fato a ser destacado é que a situação econômica do país melhorou, mas neste quesito específico dos direitos humanos só faz retroceder cada vez mais a cada dia, o que significa que não basta a um país apenas crescer. É preciso distribuir renda, dar educação, saúde e mais oportunidades de emprego e custeio da vida. Do contrário, continuaremos a viver em um país onde nossos direitos não são respeitados. Nem menos pelo Estado, o responsável por fazer valer boa pate destes direitos.

Rotina de violência e impunidade na periferia de SP Maio 27, 2009

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Paraisópolis em fevereiro. Favela do Tiquatira no início de maio. E agora Vila Jacuí. O roteiro se repete. E explode em violência. Nos três casos, policiais teriam prendido um traficante local e este, em represália, ordenou que vândalos dessem início a manifestações, com carros e ônibus incendiados, em prejuízo da população. No dia seguinte, um rastro de destruição pelas ruas. Os moradores dos arredores contabilizam os prejuízos e manifestam os seus temores, cada vez maiores.

O que surpreende nos três casos é a capacidade dos traficantes em articular os seus ’soldados’ e detonar um protesto violento. Quando as imagens flagram, são sempre rostos de adolescentes, entre sorridentes e revoltados, protagonizando as cenas de vandalismo, como os que arremesavam coquetéis-molotov de gasolina na Vila Jacuí. Barbarizam até a chegada das forças de choque da Polícia Militar. Sabem que a partir deste momento o pau vai comer. Em seguida, se recolhem e tudo volta à sua ‘normalidade’.

No caso desta terça-feira, o agravante foi a morte do traficante em uma cela de um Distrito Policial no extremo da Zona Leste. É praxe que se retire os cadarços do tênis ou sapato quando é levado para uma cela. O delegado jurou de pés juntos que o procedimento foi adotado. Bancando o McGyver, aquele do seriado famoso de televisão, o traficante, de sua cela, com um pedaço de papelão, conseguiu puxar o cadarço e se enforcar pendurado na porta. Ou seja, cometeu suicídio. Assim, sem qualquer motivo, tirou a própria vida. De qualquer modo, ele estava sobre a custódia do estado, que deveria ter zelado pela vida dele. Não foi o que aconteceu.

Se o estado não zela por alguém debaixo do seu próprio nariz, como conseguirá conter a fúria de jovens revoltosos e manipulados em eventos violentos que, com certeza, hão de vir? E quem acredita que alguém será punido nestes episódios? O filme é repetido: rotina de violência e impunidade na periferia de São Paulo.

AL e ES, os mais violentos de 2008 Maio 22, 2009

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Ao menos pela Folha de S. Paulo, os estados das Alagoas e do Espírito Santo foram os mais violentos em 2008, em um ranking que leva em consideração a soma de assassinatos, latrocínios e lesões seguidas de morte, inclusive homicídios decorrentes de confrontos com policiais. Estes estados superaram até mesmo o Rio de Janeiro e Pernambuco, que caíram para 3º e 4º, respectivamente. O último levantamento havia sido feito em 2005.

A conclusão, de qualquer modo, é que a violência aumentou, de um período ao outro, nos quatro estados. Ou seja, aumentou o número de mortes. No Rio, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 40,5 (2005) para 45,1 (2008); em Pernambuco, de 48 para 51,6. No Espírito Santo,  foi de 37,7 para 56,6; e em Alagoas, de 37,2 para 66,2.

Para justificar o aumento da violência em Alagoas, o secretário de Justiça José Paulo Rubim culpou a pistolagem e as drogas. É como culpar a chuva pelas enchentes no Nordeste. Ou em qualquer outra região. Todo mundo sabe que um dia as águas vão cair, mas ninguém toma providências preventivas. Afinal, vão cair de um jeito ou de outro. Refiro-me a uma visão fatalista – ou a uma falta de visão mesmo. Enfim, se há uma “cultura da pistolagem” e tráfico de drogas é porque a polícia nada fez para coibir este tipo de crime. Ou seja, não está cumprindo o seu papel.

Curiosamente, o secretário não comentou sobre a greve que paralisou a polícia civil do estado por alguns meses no ano passado. O inferno são sempre os outros…

Relatório: 16 morreram por bala perdida no RJ em 2008 Maio 21, 2009

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O Instituto de Segurança Pública (ISP), do Rio de Janeiro, divulgou nesta quarta-feira (20/05) o Relatório Temático Bala Perdida. De acordo com o estudo, 16 pessoas morreram vítimas de balas perdidas No Rio de Janeiro, em 2008. No total, foram 236 vítimas por balas perdida no período.

Em relação a 2007 (com 279 vítimas), houve uma queda de 15,4% de vítimas. A concentração maior de mortes por bala perdida ocorreu na capital, com 12 mortes. As outras quatro aconteceram na região da Baixada Fluminense. Para quem quiser ter acesso ao relatório completo, basta clicar aqui.

95 mortos em 24 chacinas em 2009 Maio 20, 2009

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Vamos para mais uma atualização: recuperei uma chacina de abril noticiada apenas pelo portal Terra, via a versão online do diário O Dia, do Rio de Janeiro. No dia 7 daquele mês, foram encontrados quatro corpos em um matagal de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Já em maio, o site do DFTV, da TV Globo, registrou no dia 12 a chacina de quatro pessoas em um bar de Novo Gama, no Distrito Federal. Um menino de 12 anos está entre os mortos. De acordo com a matéria, 1,5 mil pessoas já teriam sido assassinadas na região que é conhecida como Entorno Sul do Distrito Sul. Tudo isso ali, pertinho do governo federal.

E no dia 15, mais uma chacina em Fortaleza. Entre as vítimas, duas crianças, uma de 8 e outra de 11 anos. Qual a explicação para se chacinar crianças? Desta forma, chegamos a 95 mortes em 24 chacinas em 2009, segundo os portais da internet.

Contagem de chacinas em 2009

(01/01)
Mauá – 3

(04/01)
Mauá – 3

(11/01)
Itaboraí-RJ – 3

(12/01)
Araucária-PR – 4

(14/01)
Santa Rosa-RS – 4
Americana-SP – 4

(18/01)
Rio de Janeiro – 4

(23/01)
Osasco – 5

(01/02)
São Paulo – 3

(02/02)
São José da Lapa (MG) – 4

(11/02)
Porto Alegre – 4

(21/02)
São Joaquim do Monte (PE) – 4

(10/03)
Porto Velho (RO) – 5

(11/03)
Garrafão do Norte (PA) – 5

(14/03)
São Paulo – 3

(30/03)
São Paulo – 3

(31/03)
São Paulo – 3

(05/04)
Rio de Janeiro – 3

(06/04)
Silva Jardim (RJ) – 4

(07/04)
Duque de Caxias (RJ) – 4
Curitiba – 6
Duque de Caxias – 4

(10/05)
Mauá – 3

(12/05)
Novo Gama (DF) – 4

(15/05)
Fortaleza – 3

Total – 95

Crimes de maio: três anos depois, o esquecimento Maio 18, 2009

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crimes de maioRecordo-me daquela madrugada em um dia de maio retornando para casa depois de um jogo de futebol society com os amigos seguido, claro, de várias cervejas. Eram quase 4h da madrugada, quando fomos expulsos da lanchonete da quadra e tivemos que nos dirigir à Avenida Robert Kennedy, na região de Socorro, na Zona Sul de São Paulo. Vinha dirigindo tranquilamente quando dezenas de homens fortemente armados, com escopetas, sub-metralhadoras, fuzis, pistolas, e vestidos de preto, surgiram correndo de um lado para outro, em uma cena no mínimo inusitada. Logo adiante um carro batido estava cercado por policiais. Segui em frente, sem me ater a muitos detalhes, pois dado o avançado da hora e a quantidade de cerveja ingerida (ainda não havia Lei Seca), só me restava concentração para manter o foco na direção e no caminho de casa.

No dia seguinte, tomei conhecimento da dimensão do ocorrido. O PCC tinha iniciado uma série de ataques a policiais em protesto contra o regime diciplinar mais duro nas penitenciárias e o cancelamento do indulto do Dia das Mães para alguns chefes da facção. Na Avenida Robert Kennedy, parece que um delegado havia sido morto por capangas do PCC. Ao todo, a facção fez 46 mortos em maio de 2006. Os ataques, inclusive com a queima de ônibus, obrigaram as autoridades até mesmo a estabelecer o toque de recolher, algo surreal em uma cidade como São Paulo, que funciona 24 horas por dia.

E a reação das forças policiais não poderia ser mais truculenta: saiu matando a esmo e no atacado. O saldo da “guerra civil” foi de 493 mortos, a grande maioria vítimas de uma espécie de execução sumária. Pela conta, para cada policial morto, mais de nove “civis”, bandidos ou não, foram executados pela polícia ou qualquer outro tipo de poder paralelo.

Três anos depois daquele maio sangrento ninguém foi julgado ou preso, tanto de um lado quanto de outro, por tanta violência e mortes. E aos poucos vai caindo no esquecimento, como tantas outras atrocidades neste país. Ao menos o UOL deu matéria sobre o assunto que vale a pena ser lida. É assinada pelo Rodrigo Bertolotto.

Contador de homicídios desativado no PE Maio 12, 2009

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contador1Lembram-se do contador de homicídios em Recife? Pois é, vai ser desativado, informa o portal Terra. Localizado na esquina das ruas Joaquim Nabuco e Guilherme Pinto, no bairro das Graças, no Recife, o contador de homicídios vai ser desativado por falta de patrocínio. Para manter o equipamento funcionando, o Instituto Maurício de Nassau gastava por mês R$ 1,2 mil.

Apesar disso, o marcador vai continuar em sua versão on-line. Quem quiser saber os dados sobre os homicídios ocorridos em Pernambuco deve acessar o site www.pebodycount.com.br.

Desde a sua instalação, o equipamento, um ‘termômetro’ da violência no estado, sempre gerou muita polêmica. A grande maioria da população prefere fazer vistas grossas ao problema da violência e fazer de conta que não é com ela, que só acontece com os outros. Até o dia que a violência bate na sua porta, sem ser convidada. Daí, sai gritando pela rua. Mas ninguém ouve.

84 mortos em 22 chacinas em 2009 Maio 11, 2009

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Três homens foram mortos na madrugada de sábado para domingo (10/05) em Mauá, na Grande São Paulo. Foi a terceira chacina do ano na cidade do ABC paulista. Na Grande São Paulo, foi a 9ª chacina do ano. A informação, no entanto, ficou de fora dos portais.

Para manter esta contagem atualizada, tive de recorrer à Folha de S.Paulo. A notícia está disponível apenas para assinantes do jornal ou do UOL. Com mais esta, chegamos a 84 mortes em 22 chacinas em 2009.

Contagem de chacinas em 2009

(01/01)
Mauá – 3

(04/01)
Mauá – 3

(11/01)
Itaboraí-RJ – 3

(12/01)
Araucária-PR – 4

(14/01)
Santa Rosa-RS – 4
Americana-SP – 4

(18/01)
Rio de Janeiro – 4

(23/01)
Osasco – 5

(01/02)
São Paulo – 3

(02/02)
São José da Lapa (MG) – 4

(11/02)
Porto Alegre – 4

(21/02)
São Joaquim do Monte (PE) – 4

(10/03)
Porto Velho (RO) – 5

(11/03)
Garrafão do Norte (PA) – 5

(14/03)
São Paulo – 3

(30/03)
São Paulo – 3

(31/03)
São Paulo – 3

(05/04)
Rio de Janeiro – 3

(06/04)
Silva Jardim (RJ) – 4

(07/04)
Duque de Caxias (RJ) – 4
Curitiba – 6

(10/05)
Mauá – 3

Total – 84

Violência, uma rotina nas escolas do DF Maio 7, 2009

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A pesquisa foi feita nas escolas do Distrito Federal, mas resultados muito semelhantes poderiam ter sido obtidos em qualquer outro estado da federação ou qualquer outro município. Os pesquisadores constataram que a violência é uma rotina no cotidiano de alunos, professores e funcionários das escolas públicas no DF. Infelizmente, o cenário se repete em grande parte do país. Relatos de agressões nas escolas brasileiras são comuns.

A violência está cada vez mais enraizada na nossa sociedade e é preciso medidas imediatas para começar a reverter a situação. E a escola deveria ser justamente o local a ser protegido, a ser blindado contra a “praga” da violência. Mas não é o que está acontecendo. Que futuro nos aguarda diante de crianças e jovens assolados pela violência, até mesmo nas escolas? A pesquisa foi divulgada pelo Jornal da Globo na madrugada desta quinta-feira (07/05). Para assistir à reportagem, basta clicar aqui.

Aumenta a violência em SP, diz SSP Maio 6, 2009

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De volta, depois de um merecido descanso. Então, vamos retomar este blog, que recomeça, infelizmente, com uma má notícia: o aumento do índice de homicídios dolosos no Estado de São Paulo neste primeiro trimestre de 2009. No estado, a taxa de homicídios subiu ligeiramente de 10,6 para 11 casos por 100 mil habitantes, ao ano, um aumento de 0,7%. Na capital e Grande São Paulo, houve queda nos índices, de  6,44% e 6,78%, respectivamente.

Isso significa que o crescimento na taxa de homicídios dolosos ocorreu significativamente no interior e litoral do estado. Ou seja, se as políticas de segurança pública têm dado resultado na capital e região metropolitana, o mesmo não ocorre nas demais regiões do estado. Provavelmente porque o estado não tem desempenhado o seu papel nestas regiões. E onde há um vácuo de poder, poderes paralelos ocupam este espaço.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve aumento significativo em crimes como latrocínio (roubo seguido de morte), que subiu 36,23%, estupro, 33,25%, e roubo de veículos, 33,02%. O total de latrocínios foi de 94 ocorrências no período. Houve ainda 1.050 estupros e 19.253 roubos de veículos.

A SSP anunciou ainda que os roubos tiveram aumento de 19,13% sobre o mesmo período de 2008. Além disso, os roubos de veículos subiram 33,02% e os furtos de carros, 14,56%. E o número de armas apreendidas também aumentou, o que, provavelmente, significa que a cada dia cresce o número de pessoas que portam armas de forma ilegal pelas ruas de todo o estado. O aumento foi de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2008 e de 9,5% em relação ao trimestre anterior. De janeiro a março deste ano, foram apreendidas 5.568 armas, contra 5.326 no primeiro trimestre de 2008 e 5.037 no quarto trimestre do ano passado.

Uma das poucas boas notícias foi a queda, de 13,64%, na taxa de roubo a bancos no primeiro trimestre de 2009. Independentemente da frieza dos números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública na última quinta-feira (01/05), a sensação de insegurança só faz aumentar a cada dia, tanto em São Paulo como em todo o país.

Para a SSP, a crise econômica mundial seria a principal responsável pelo aumento nos índices de criminalidade. Então tá! Se tal teoria estiver correta, bastará o mundo e o país voltarem a crescer economicamente para a violência voltar a baixar, estou certo? Ora, me poupem…