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Crimes de maio: três anos depois, o esquecimento Maio 18, 2009

Posted by Mora in Violência policial, homicídio, Índices e estatísticas.
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crimes de maioRecordo-me daquela madrugada em um dia de maio retornando para casa depois de um jogo de futebol society com os amigos seguido, claro, de várias cervejas. Eram quase 4h da madrugada, quando fomos expulsos da lanchonete da quadra e tivemos que nos dirigir à Avenida Robert Kennedy, na região de Socorro, na Zona Sul de São Paulo. Vinha dirigindo tranquilamente quando dezenas de homens fortemente armados, com escopetas, sub-metralhadoras, fuzis, pistolas, e vestidos de preto, surgiram correndo de um lado para outro, em uma cena no mínimo inusitada. Logo adiante um carro batido estava cercado por policiais. Segui em frente, sem me ater a muitos detalhes, pois dado o avançado da hora e a quantidade de cerveja ingerida (ainda não havia Lei Seca), só me restava concentração para manter o foco na direção e no caminho de casa.

No dia seguinte, tomei conhecimento da dimensão do ocorrido. O PCC tinha iniciado uma série de ataques a policiais em protesto contra o regime diciplinar mais duro nas penitenciárias e o cancelamento do indulto do Dia das Mães para alguns chefes da facção. Na Avenida Robert Kennedy, parece que um delegado havia sido morto por capangas do PCC. Ao todo, a facção fez 46 mortos em maio de 2006. Os ataques, inclusive com a queima de ônibus, obrigaram as autoridades até mesmo a estabelecer o toque de recolher, algo surreal em uma cidade como São Paulo, que funciona 24 horas por dia.

E a reação das forças policiais não poderia ser mais truculenta: saiu matando a esmo e no atacado. O saldo da “guerra civil” foi de 493 mortos, a grande maioria vítimas de uma espécie de execução sumária. Pela conta, para cada policial morto, mais de nove “civis”, bandidos ou não, foram executados pela polícia ou qualquer outro tipo de poder paralelo.

Três anos depois daquele maio sangrento ninguém foi julgado ou preso, tanto de um lado quanto de outro, por tanta violência e mortes. E aos poucos vai caindo no esquecimento, como tantas outras atrocidades neste país. Ao menos o UOL deu matéria sobre o assunto que vale a pena ser lida. É assinada pelo Rodrigo Bertolotto.

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