Onde estão os mortos? dezembro 6, 2010
Posted by Mora in corrupção, homicídio, Violência policial.trackback
O título em forma de questionamento é raro no jornalismo. Afinal, uma das funções do jornalista é buscar as respostas para detalhes dos fatos do dia que intrigam aos leitores. E, neste caso específico, houve uma cobertura massiva da operação levada a cabo por uma força policial-militar que tomou o Complexo do Alemão, há muito território dominado por traficantes de peso e no qual o Estado inexistia. Como era previsível, a reconquista da área não foi feita sem dor e sem sangue.
Uma dupla profissional de peso do diário Folha de S. Paulo – as jornalistas Laura Capriglione e Marlene Bergamo – constatou, na edição de domingo (05//12), após a divulgação do balanço final da operação, um problema de ‘matemática’ rotineiro resultante em ações similares, mas que não mereceram a mesma atenção da imprensa em ocasiões anteriores – e que sempre foi apontado por este blog. Foram divulgadas 37 mortes, mas, de acordo com a reportagem, para a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, morreram 18 pessoas (17 identificadas). Os mortos entre os dias 21 e 24 novembro, a secretaria não contabilizou, de acordo com as repórteres. E, pior ainda, o Instituto Médico Legal (IML) alega não ter a identificação dos mortos e nem a forma como os óbitos ocorreram. Seguem-se relatos de abusos e outros absurdos cometidos pelos integrantes da força policial-militar.
Com a poeira já assentada, repito as mesmas perguntas que já fiz anteriormente em relação às operações de menor vulto nos morros do Rio: se era uma guerra – ao menos foi propalada como tal pelas autoridades sempre competentes e exibida como tal pelas câmeras de televisão -, por que só há vítimas fatais de um lado? Por que há mais mortos do que feridos do lado derrotado? Por que os nomes de todas as vítimas não são divulgados? E por que as causas das mortes de cada uma destas vítimas não são levadas a público? Tenho certeza que a imensa maioria da população brasileira defenderá que no caso do Rio de Janeiro os fins justificam os meios. Do contrário, na visão da chamada opinião pública, não há como acabar com o problema do tráfico.Afinal, é uma guerra, não é?
Ao que eu concluo, citando Phillip Knightley: em uma guerra, a primeira vítima é sempre a verdade.
Comentários»
No comments yet — be the first.