Enfim, o PFL chegou lá… Outubro 27, 2008
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Está cada vez mais difícil viver em São Paulo. Quase insuportável em grande parte do dia. Principalmente naqueles de calor e trânsito intensos, uma combinação nada agradável. A opção por viver em São Paulo justifica-se pelo que a cidade tem a oferecer, como a prestação de serviços que só se encontra por aqui e o acesso à educação e à cultura. E muito me orgulhava o fato de o PFL nunca ter governado esta cidade, por mais conservadores e pequeno-burgueses os moradores fossem – ou melhor, são.
Pois bem, a classe média paulistana conseguiu colocar o PFL, que se transformou em DEM, no comando da cidade, agora de forma mais do que legítima. Para quem não se lembra – ou nunca ouviu falar, que deve ser o caso de muita gente que navega na Internet -, o Partido da Frente Liberal foi criado por políticos ligados a oligarquias rurais do Nordeste brasileiro, que racharam com Paulo Maluf, representante do que havia de pior do empresariado paulista na época da abertura política, no início dos anos 80. Ou seja, todos conviviam pacificamente, mamando literalmente nas tetas do governo durante o regime militar, sob a sigla de sustentação civil dos milicos, a Arena.
Quando os ventos da mudança sopraram, tomaram rumos diferentes, mas todos eles sempre gravitando em torno da elite dominante de plantão, conforme a região. Apesar disso, O PFL sempre foi um partido sem representatividade em São Paulo. Começou a ganhar alguma força depois de se aliar aos tucanos do PSDB, que também nasceram de um racha, desta vez no MDB, o grande partido de oposição aos militares, cuja máquina havia sido dominada por Orestes Quércia. E agora São Paulo está nas mãos do PFL. Pouco me importa a boa avaliação de Kassab à frente da administração pública. Pesquisas de opiniões são facilmente manipuláveis.
Pouco me importa se o perfil dele de administrador é condizente com o que uma cidade como São Paulo precisa; me importa mais a biografia, a história de vida destes políticos. E São Paulo não precisa só de obras, precisa de “calor humano”, precisa se transformar realmente em um centro de convívio e não apenas um lugar de passagem entre a casa e o trabalho e vice-versa. Enfim, não sei… Mas para mim, definitivamente, está cada vez mais difícil viver nesta cidade. Por isso, este desabafo, apesar de fora de lugar e de contexto, se fez necessário neste momento.
Flagrantes reveladores Fevereiro 22, 2008
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Uma rápida passagem pelo noticiário desta quinta (21) e sexta-feiras (22) permite, através de pequenos flagrantes, traçar um panorama da insegurança e o nível de neurose coletiva que esta acarreta, com graves e inesperadas consequências. Algumas insólitas até.
Em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, por exemplo, um homem eletrificou a cerca de sua residência, aparentemente simples até, mas que já havia sido arrombada. Como resultado, sua própria filha, de 20 anos, morreu eletrocutada ao tocar na cerca. Uma tragédia que só o pavor que tomou conta das pessoas nos dias de hoje pode explicar.
Em Curitiba, uma mulher de 26 anos, ao fugir de homens armados, se embrenhou pela rede de esgoto até conseguir alcançar um bueiro e pedir socorro. Tal o seu desespero que permaneceu por mais de 6 horas percorrendo galerias estreitas e escuras, correndo risco de contaminação e de morrer afogada em caso de qualquer chuva mais leve. Difícil não sair traumatizada de tal experiência, pois as horas vividas lá dentro devem ter sido dignas de filme de terror.
De Santo André vem um exemplo de ousadia, que só faz crescer, por parte dos bandidos: assaltaram duas policiais, levando armas e celulares. É claro que pesam o despreparo e falta de condições de trabalho para os policiais em uma situação dessas. Mas se bandidos assaltam PMs sem o menor pudor, o que não podem fazer com meros cidadãos comuns e indefesos?
Até aí são flagrantes da violência que afeta a todos nós. Mas a esperança de algum futuro menos violento cai de vez por terra quando se lê que um jovem de apenas 14 anos espancou uma professora em Ribeirão Preto. Na boa, cadê os pais deste moleque? Que tipo de educação deram para ele? O que esperar da juventude deste país, criados sem quaisquers amarras e respeito ao próximo? Deveriam botar este aluno naquela escola da Vila Prudente, em São Paulo, que jogou fora cerca de 400 livros na semana passada. Um merece o outro.
Livro sobre jornalismo policial Janeiro 25, 2008
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Mais uma dica de livro, este para quem se interessa por jornalismo policial. E o melhor de tudo é que pode ser baixado pela Internet. É Mídia e Violência — Novas Tendências na Cobertura de Criminalidade e Segurança no Brasil, de autoria de Silvia Ramos e Anabela Paiva.
“Este livro é um trabalho imprescindível para os que pretendem entender um pouco melhor o problema da violência e da criminalidade no Brasil. Os depoimentos, artigos e entrevistas colhidos por Silvia Ramos e Anabela Paiva constituem um documento precioso a respeito do papel da imprensa no acompanhamento da escalada de violência que nos mantém acuados. O estudo abre espaço para as várias vozes da sociedade que hoje tentam de alguma maneira fazer uma reflexão sobre a criminalidade e sobre a forma como os meios de comunicação a retratam. É sem dúvida o melhor trabalho já produzido com o intuito de ajudar a melhorar a cobertura policial da imprensa brasileira”, destaca o jornalista Marcelo Beraba, na orelha do livro.
Para quem estiver interessado, é só clicar neste link para saber mais detalhes e depois baixar o PDF. Boa leitura.
Batoré, sem qualquer graça Janeiro 22, 2008
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Batoré (acima, em fotomontagem da Veja já em 2000) virou manchete dos portais no último dia 15/01. Apesar do apelido prosaico, até simpático, graças ao famoso humorista da TV, o cara carrega nas costas, desde a adolescência, nada menos do que as acusações de 15 homicídios. Tem apenas 24 anos. Ou seja, Batoré, desde a puberdade, teria matado mais do que um cidadão por ano. Desde que se tornou adulto, já havia sido preso em duas ocasiões anteriores. Estava livre desde maio do ano passado. Foi preso por roubo de carro, na Zona Leste de São Paulo no dia 15. Por que sujeito de tão alta periculosidade circulava livre, leve e solto pelas ruas de São Paulo?
Em Sabará-MG, uma garota de 14 anos faleceu depois de ter sido baleada na cabeça, no dia anterior, pelo namorado de 32 anos, que alegou estar brincando com um revólver quando este disparou acidentalmente. Brincando com um revólver? Então tá…
Fatalidade intrigante Janeiro 16, 2008
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Um revólver displiscentemente deixado de lado pelo pai, um sargento da polícia. Uma criança de apenas quatro anos e curiosa, como toda criança deve ser. A combinação destes dois fatores só poderia resultar em uma tragédia familiar, difícil de ser superada. O menino, supostamente, atirou contra o próprio abdômen.
A fatalidade deu-se logo no segundo dia do ano em Recanto das Emas-DF e foi noticiada por todos os portais. Crianças são, sim, curiosas, mas por que armas em geral exercem tanto fascínio nos homens das mais variadas idades? Por que deixar objeto tão perigoso exposto e ao alcance de qualquer um, mesmo que por alguns instantes? Sensação de segurança? Poder? Tudo muito intrigante. E lamentável.
Com exceção do Terra, os portais, em notícia da Agência Estado, também destacaram a morte de um detento a facadas em um presídio de Limoeiro, interior de Pernambuco. Ou seja, o Estado, que mal cumpre sua função de zelar segurança e bem-estar das pessoas aqui do lado de fora, também não o faz em relação àquelas que estão sob sua guarda.
