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Conceito infeliz: ‘direitos humanos só defendem bandidos’ Maio 28, 2009

Posted by Mora in Violência policial, corrupção, Índices e estatísticas.
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Foi divulgado nesta quinta-feira (28) o Relatório Anual da Anistia Internacional (organização não governamental que luta por direitos humanos em todo o mundo) em 2008. Em entrevista ao portal UOL, o coordenador da Anistia Internacional para assuntos brasileiros, o britânico Tim Cahill, afirmou que “existe um conceito infeliz no Brasil que é que os direitos humanos só defendem bandidos”.

Infelizmente, não há como deixar de concordar com ele. E as pessoas que mais proferem tal absurdo são as que mais têm seus direitos violados neste país. Mesmo assim, manipuláveis que são dada suas condições de excluídos e marginalizados, perpetuam e propagam um discurso reacionário que só interessa a uma elite encastelada no poder – político e econômico – deste país.

Como consequência, várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer àqueles que não acreditam nos direitos humanos, segundo o ativista. Os exemplos são vários e estão citados na matéria do UOL. O fato a ser destacado é que a situação econômica do país melhorou, mas neste quesito específico dos direitos humanos só faz retroceder cada vez mais a cada dia, o que significa que não basta a um país apenas crescer. É preciso distribuir renda, dar educação, saúde e mais oportunidades de emprego e custeio da vida. Do contrário, continuaremos a viver em um país onde nossos direitos não são respeitados. Nem menos pelo Estado, o responsável por fazer valer boa pate destes direitos.

Caiu o nosso xerife Bell Março 20, 2009

Posted by Mora in corrupção.
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bellRonaldo Marzagão, nos últimos meses, a cada aparição sua nas tevês ou a cada declaração para rádios ou jornais, me lembrava muito o recalcitrante xerife de No Country For Old Men (Sem Lugar Para Homens Fracos), o fantástico livro do americano Cormac McCarthy. Filmado pelos irmãos Cohen (Fargo), a fita ganhou o Oscar em 2008. No filme, o xerife Ed Tom Bell é interpretado por Tommy Lee Jones. O papel dele é de um veterano homem da lei de uma pacata cidade do oeste americano que se depara, à beira da aposentadoria, com uma sucessão de crimes e violência sem precedentes. Ele tenta conter a onde de mortes, mas está sempre um passo atrás e se torna mais e mais vacilante e temeroso. O xerife até consegue prever o desenrolar dos acontecimentos, mas não tem sucesso ao tentar antecipá-los. E chega a temer pelo próprio futuro se se meter demais na confusão.
Ronaldo Marzagão, a exemplo do xerife Bell, foi engolido pelos fatos e pelas denúncias de corrupção. Durante a sua gestão como secretário da Segurança Pública, evitou como pôde as entrevistas. Depois que estourou a denúncia de que seu secretário-adjunto Lauro Malheiros negociava cargos e decisões em processos administrativos envolvendo policiais corruptos, Marzagão passou a aparecer em qualquer situação, até nas mais inusitadas.

Vandalismo na favela Paraisópolis!? Marzagão aparecia no meio do campo de batalha.

Queda do teto do templo da Renascer!? Dá-lhe Marzagão…
Assassinato de um travesti no Parque dos Paturis em Carapicuíba!? Lá estava Marzagão.
Denúncia de corrupção de policiais de Guarulhos!? Lá ia o Marzagão dar a cara para bater.

E em muitas outras ocasiões, sem que se fizesse necessária a sua presença, ele surgiu diante de câmeras e microfones para tentar explicações, sempre correndo atrás dos fatos, sempre vacilante, sempre sem muitas respostas para dar. Quer dizer, as respostas eram as de sempre: “Vamos apurar os fatos, estamos empenhados nestas investigação e os culpados, depois de identificados, serão punidos”. Um script pronto e pouco convincente. Após sucessivas denúncias que atingiu um assessor direto, Marzagão finalmente caiu. E deixou muitas perguntas sem respostas.

Serra falsifica o Paraguai Março 18, 2009

Posted by Mora in corrupção.
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Dois Paraguais! Cadê o Equador?

Dois Paraguais! Cadê o Equador?

Geografia!
Geografia para quê?
Estudar!
Estudar para quê?
Educação!
Educação para quê?
É extremamente representativo do descaso com que o Governo do Estado de São Paulo trata a educação no estado o mapa da América do Sul, que se encontra em livros didáticos de apoio distribuído nas escolas estaduais.
O mapa contém erros grosseiros, vergonhosos. Na visão da Secretaria Estadua da Educação, o Paraguai só serve para falsificações, tanto que aparece duas vezes no mapa. O Equador, por sua vez, foi banido, varrido do continente.
Que tipo de educação estão dando nas nossas escolas públicas, afinal? Nitidamente, a intenção é fazer com a educação o que se fez com a saúde: sucateá-la ao máximo, admitir publicamente que não consegue atender todas as demandas e proclamar, em tom de revelação e verdade absoluta, que a iniciativa privada é a solução para todos os males. Foi assim com as estradas, com as telecomunicações, está sendo com a saúde, segurança e por aí vai… Quem pode, paga! Quem não pode…
Já escrevi várias vezes aqui que a educação é a base, o alicerce de uma sociedade, de um país. Quando o descaso nesta área tão estratégica reina, o país patina. E resulta em todas as consequências que vivenciamos diariamente: corrupção desmedida, violência fora de controle, miséria, carestia… E o mapa foi distribuído em escolas do estado mais rico da nação. Era o caso de demitir sumariamente o secretário de educação.
Aliás, leio que Ronaldo Marzagão deixou o cargo de secretário da Segurança Pública do Estado. Merecerá post à parte, obviamente.

Somos todos corruptos! Março 5, 2009

Posted by Mora in corrupção.
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corruptoCorrupção é uma das pragas que assola este país e, por isso mesmo, uma das causas primeiras da violência em seus mais variados graus, escalas e matizes. A denúncia feita pelo jornal O Estado de S.Paulo desta quarta-feira (04/03), em um sensacional furo jornalístico, traz à tona como funciona uma pequena parte desta corrupção. O vídeo a que teve acesso os repórteres do Estadão joga luz sobre como agem os corruptos que têm acesso ao andar de cima, às esferas mais altas de poder.

Para quem não leu a matéria, o vídeo mostra, por exemplo, um policial negociando sua absolvição em um processo administrativo depois der ter sido investigado e denunciado por crimes que teria cometido no cumprimento de sua função. O preço da absolvição, uma decisão que caberia a ninguém menos do que um secretário-adjunto da pasta da Segurança Pública do Estado de São Paulo, é de R$ 100 mil. Isso mesmo: 100 mil reais. Em outro trecho do vídeo, o intermediário das negociatas, primo deste ex-secretário-adjunto, é sondado sobre uma compra de cargo no Detran. O preço: de 200 a 300 mil reais.

Até entendo – mas não aceito – uma pessoa querer subornar alguém para manter o seu status profissional e uma fonte de renda segura, pela qual com certeza conseguiria obter outras rendas paralelas, sabe-se lá se por meio de maneiras escusas ou não. Agora, que interesses mais secretos são esses que fazem com que uma pessoa pague R$ 300 mil por uma diretoria do Detran? Que tipo de compensação haveria nesta troca de cargos para que uma pessoa se dispussesse a pagar tal quantia? A resposta é óbvia: um retorno financeiro maior do que o valor “investido”, como contrapartida. E de que maneira seria obtido este retorno financeiro, legal ou ilegalmente? Enfim, são denúncias sérias, que precisam ser apuradas com urgência.

Do episódio, dois pontos chamam a atenção e que ilustram bem a que nível de corrupção chegamos. O primeiro é a reação do presidente da Associação dos delegados de Polícia de São Paulo, Sérgio Roque. Em declaração ao mesmo Estado de S.Paulo, ele diz que vai convocar um ato em defesa da moralidade na Secretataria da Segurança Pública. Já tem até slogan: “Policial não é ladrão, queremos apuração”. Ainda bem que policial não é ladrão. Imagina se fosse…

Perá aí… quando uma associação que representa os delegados, um dos ‘pilares’ no combate à própria corrupção, criminalidade e violência, pede moralidade há algo de muito podre no ar. Os delegados deveriam ser os representantes legais da própria moralidade. E, claro, não deveriam bradar por ela por aí aos quatros ventos. Mas sim fazer valer a moralidade, com tudo o que há de mais hipócrita neste conceito, inclusive.

E outro ponto que assusta é que todos estes fatos relatados no vídeo se deram com pessoas ligadas, de uma forma ou outra, à Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Junto com a pasta da Justiça, a da Segurança é – ou ao menos deveria ser – outro pilar do combate à corrupção sistêmica. Para sintetizar, um dito popular: não basta à mulher de César ser fiel; ela tem de parecer fiel. Vale para a Secretaria da Segurança Pública. Pois na cabeça de qualquer simples mortal vai se passar o seguinte: se na própria Secretaria da Segurança Pública há corrupção, o que não acontece em pastas como a da Educação, Saúde, Obras e Infraestrutura, só para ficar em algumas mais visadas? Nestas pastas então os preços são ainda mais inflacionados? Mas é melhor nem pensar nisso. Do contrário, começarei a pensar que somos todos corruptos. Ou, no mínimo, coniventes com a corrupção. Inclusive, eu.