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Violência, uma rotina nas escolas do DF Maio 7, 2009

Posted by Mora in violência infantil/juvenil, Índices e estatísticas.
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A pesquisa foi feita nas escolas do Distrito Federal, mas resultados muito semelhantes poderiam ter sido obtidos em qualquer outro estado da federação ou qualquer outro município. Os pesquisadores constataram que a violência é uma rotina no cotidiano de alunos, professores e funcionários das escolas públicas no DF. Infelizmente, o cenário se repete em grande parte do país. Relatos de agressões nas escolas brasileiras são comuns.

A violência está cada vez mais enraizada na nossa sociedade e é preciso medidas imediatas para começar a reverter a situação. E a escola deveria ser justamente o local a ser protegido, a ser blindado contra a “praga” da violência. Mas não é o que está acontecendo. Que futuro nos aguarda diante de crianças e jovens assolados pela violência, até mesmo nas escolas? A pesquisa foi divulgada pelo Jornal da Globo na madrugada desta quinta-feira (07/05). Para assistir à reportagem, basta clicar aqui.

Menina tornada mulher pela violência doméstica Março 8, 2009

Posted by Mora in violência contra mulher, violência infantil/juvenil.
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menina1jpgNo Dia Internacional das Mulheres – parabéns a todas, aliás -, decidi escrever sobre uma menina de apenas 9 anos. Não é uma mulher ainda, mas já viveu e passou por agruras inimagináveis – até mesmo para um homem. E, sem querer, virou o pivô de uma polêmica das mais hipócritas, envolvendo igreja, medicina e governo (leia-se, Lula). A tragédia vivida pela menina de 9 anos, de Recife, que foi estuprada pelo padastro, ficou grávida de gêmeos e depois abortou com ajuda médica, pois se tratava de gravidez de risco, é das mais corriqueiras por todo este país.

Dos elos frágeis da sociedade, as meninas pobres e negras, com certeza, são o mais frágil de todos. São as vítimas primeiras da violência doméstica, muitas vezes com a conivência por parte das próprias mães. Depois, ao longo da vida, além de carregarem as marcas desta violência na infância, enfrentam todo o tipo de preconceito, como o o sofrido pela empregada doméstica Doralice Muniz Barreto, de 44 anos, que teve de tirar a blusa tirar a blusa para passar pela porta giratória da agência do Banco do Brasil em Jundiaí, a 58 km de São Paulo.

Na disputa envolvendo a menina de 9 anos, igreja e governo têm razão e – também não tem. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos, que forçaram o aborto, e os pais da menina. Com seus dogmas milenares, com erros e acertos ao longo da História, a igreja se perpetuou e se solidificou. Cumpre o seu papel. E não vai mudar. De se lamentar apenas a hipocrisia de seus porta-vozes, pois não se prestam a julgar seus pares envolvidos em casos de pedofilia tão rapidamente. Me chama ainda a atenção de o arcebispo insistir que a Lei de Deus é mais importante que a lei dos homens, como se a Lei de Deus não tivesse sido escrita por homens… Tudo bem, com inspiração divina, mas escrita por homens.

O Lula fez o de sempre: meteu o bedelho onde pode angariar um pouco mais de popularidade. Montado em uma sem precedentes para um político, é o nosso palpiteiro número 1: comenta sobre futebol com a mesma facilidade com que fala de crise econômica ou assuntos religiosos. E os médicos cumpriram o papel que deles se esperava: se preocuparam exclusivamente com a saúde da menina, tornada mulher tão precocemente.

De toda este enredo sórdido, esta trama perversa, o papel de uma outra mulher chamou-me a atenção: a mãe da menina de 9 anos. Pelo que li, parece que a filha sofria abusos do padrasto desde os seis anos de idade. Ou seja, de tão dramática a situação, a mulher, na imensa maioria das vezes, prefere silenciar e fechar os olhos à violência que acontece aos seus entes queridos para evitar ela própria de ser vítima de mais violência. Só as mulheres podem reverter esta situação, para evitar que se sucedam casos como a da menina de Recife.

Estudantes sem coração Fevereiro 7, 2009

Posted by Mora in violência infantil/juvenil.
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coracaoA música de Milton Nascimento marcou época. Cantei muito esta música em roda de violão, com meu primo tocando. De tanto tocar, a letra, passada determinada fase da vida, ficou piegas até.  Mas, junto com a melodia, segue gravada na memória.

Há que se cuidar da vida. Há que se cuidar do mundo, diz a letra, que se encaixa como uma luva no coração de todo estudante. Éramos estudantes, sim, e sonhávamos muito. Porém, além de piegas, a letra ficou datada. Estudante não sonha mais. Pelo contrário. Estudante quer saber de balada e é capaz de sacanear até o mais indefeso, até o mais desarrazoado dos seres.

Em Campinas, um grupo de estudantes de direito do Mackenzie, no dia 5, atacou literalmente um morador de rua. Segundo testemunhas, jogaram pinga no mendigo, raparam-lhe cabelo e sobrancelhas, entre outras covardias. São estes então os nossos futuros advogados, promotores, juízes e outros? Aqueles que seriam responsáveis por criar nossas leis, torná-las válidas, aplicá-las com Justiça e, assim, zelar por quem mais precisa em uma sociedade tão desigual? Que leis e decisões serão capazes de criar e tomar tais profissionais se nem como estudantes chegaram a sonhar? Seria o caso até de perguntar se tais estudantes têm coração…

Quando a violência explode Fevereiro 3, 2009

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Blindado da Tropa de Choque da PM invade a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo
Blindado da Tropa de Choque da PM invade a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo

Favelas nas grandes cidades são barris de pólvora prestes a explodir, o que acontece com certa frequência no Rio de Janeiro e começa, aos poucos, a se tornar rotina também em São Paulo. A mistura explosiva é um misto de desemprego, baixa instrução escolar, tráfico de drogas, violência doméstica, falta de infraestrutura e de opções de lazer e, claro, uma absoluta ausência de estado, que deixa de suprir várias destas necessidades em uma região extremamente carente.

 

Para acender o estopim e incendiar esta mistura, basta um aceno de mão de traficantes, cientes das plenas frustrações que toda uma geração perdida de jovens carrega, sem quaisquer expectativas de futuro a não ser o de seguir a mesma trilha no tráfico. O resultado são dezenas de jovens enfurecidos e dispostos a destruírem tudo o que veem pela frente, como carros e lojas, sem qualquer motivo que justifique tais atos. Puro vandalismo.

 

Os relatos dos moradores da favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, são bem parecidos: dezenas de jovens, como hordas bárbaras, ameaçando, roubando, destruindo tudo o que viam pela frente. E o estado completamente ausente, incapaz de apagar o rastilho da pólvora antes da explosão. Depois da terra arrasada, vem a resposta, desproporcional e na direção errada: a tropa de choque, com todo o seu aparato e os blindados, tipo “Caveirão”, que fez fama junto com o Bope, invade a favela e espalha mais terror.

 

E para deixar claro que o estado finalmente se fez presente, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, vai até o local para afirmar que a situação é grave, “mas que está controlada”. De repente, uma frase enigmática: “Não podemos responder violência com violência. Temos de responder dentro da legalidade. É o preço que se paga”. Que preço é esse que se paga? Seria o preço da ausência de estado, que não cumpre o seu papel!? E quando resolve cumprir é tarde demais? Mais Paraisópolis virão. E com cada vez mais frequencia… É o preço que pagamos.

 

“Amadeu Amaral”, uma lição para o futuro? Novembro 13, 2008

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amadeuUm problema disciplinar. Assim foi resumido por professores, alunos, pais de alunos e funcionários o quebra-quebra protagonizado pelos estudantes da escola Estadual Amadeu Amaral, no Belenzinho, na Zona Leste de São Paulo, nesta quarta-feira (12). Se o problema é disciplinar, basta estabelecer – e aplicar – normas mais rígidas para manter a ordem na escola, certo? Na verdade, não há uma resposta, só perguntas sobre este triste episódio, que demonstra o quanto a instituição escola pouco significa para os jovens atualmente.

Briga entre alunos é algo corriqueiro. Entre alunas, bem menos. Mas tal fato tornar-se o estopim para atos de vandalismo contra umpatrimônio público é destas situações às quais se assiste atônito, sem palavras, sem explicações. Que jovens são esses que depredam uma das poucas instituições que lhe darão a chance de ser alguém na vida? Quem são os pais destes alunos que abdicam de educá-los? Pois é disto que se trata, de educação – e não de disciplina.

A disciplina é incorporada no dia-a-dia através de normas e regras de conduta, conforme a instituição, seja na escola, em um hospital, no convento, no quartel ou em qualquer outro lugar. Para assimilá-las, no entanto, é preciso educação. É o que dá base para sabermos nos portar nestes diferentes lugares. E mesmo que nos rebelemos contra estas regras, muitas delas absurdas, em momento algum reagiremos a tal ponto de querer colocá-los abaixo. Quando isso ocorre, são momentos de crise extrema, como nas guerras ou revoluções.

O que aconteceu na escola Amadeu Amaral foi pura falta de educação por parte de jovens inconsequentes, que devem acreditar que a vida é uma grande aventura e não vale a pena perder tempo com estudos. Professores e funcionários destas instituições se vêem diante de uma encruzilhada. Se tentam preencher esta lacuna, os próprios pais são os primeiros a reagir contra, como temos visto ultimamente nos noticiários – pais que agridem professores ou diretores porque reprovaram ou repreenderam os seus filhos queridinhos. E se os professores decidem não assumir este papel, assistem a cenas como as da Escola Amadeu Amaral.

Vendo um pouco mais para frente, de que adianta ficar aqui reivindicando políticas de segurança pública, mais transparência, polícias mais eficientes, das autoridades, se nós, cidadãos, não nos preocupamos sequer em formar uma base para esta sociedade? Não sei mais quantas perguntas vêm à cabeça diante de uma situação dessas. Se há uma lição para o futuro? Só o tempo dirá, infelizmente.

Difícil entender Agosto 12, 2008

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Difícil de entender certos crimes. Acontecem quando menos se espera e fogem a qualquer lógica. E os assassinos seriam pessoas aparentemente pacatas e acima de qualquer suspeita. Em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, no final de semana, um adolescente de apenas 15 anos matou enforcado um menino de apenas 11 anos.

O motivo não poderia ser mais banal: uma pipa de empinar. O local não poderia ser mais surpreendente: uma escola. A arma não poderia ser mais inusitada: uma mangueira. Ou seja, o adolescente, além de umas doses de bebida alcoólica, não precisou de muita coisa para concretizar um homicídio. Por que este adolescente estava bebendo justamente em uma escola? Não há segurança nos finais de semana?

Na madrugada desta segunda-feira (11), na Zona Oeste de São Paulo, mais um assassinato que foge a qualquer compreensão. Um senhor de 78 anos fuzilou a mulher de 68 anos com quem vivia há 44 anos. Ele estaria embriagado no momento dos disparos, mas já devia ter ficado embriagado anteriormente e nem por isso matou a companheira. Como explicar? Um crime passional? Difícil de entender. A violência explode quando menos se espera. Por que?

O elo mais frágil Abril 29, 2008

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São dezenas de milhares de “Isabellas” em potencial neste país. Uma matéria do Fantástico, da Globo, publicada pelo G1 no domingo, afirma que uma criança é assassinada a cada 10 horas, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde. A criança é o elo mais frágil e indefeso de uma sociedade cada vez mais violenta, como a nossa.

E o problema se agrava ainda mais quando esta violência é praticada entre quatro paredes, dentro de casa ou da escola, longe dos nossos olhos. Ou seja, é muito difícil de ser detectada. E quando acontece, costuma ser tarde demais. Seqüelas, físicas e/ou psicológicas, são inevitáveis. Quando não resultam em morte.

Devido à repercussão do caso Isabella, ao menos temporariamente, as pessoas estão mais atentas e vigilantes a este tipo de violência. No Guarujá, nesta segunda, os pais foram denunciados por torturarem os seus cinco filhos. Os poucos detalhes relatados já são chocantes. E estas crianças vão retribuir com mais violência quando forem adultas. Um círculo vicioso que só será quebrado se repensarmos toda a sociedade que estamos construindo.

Isabella, a eleita Abril 23, 2008

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São muitos os casos semelhantes ao da menina Isabella por todo o Brasil. Basta acompanhar o noticiário dos portais:

Padrasto é suspeito de estrangular enteado de 11 anos no Pará

Casal acusado de matar menina e enterrá-la em quintal é preso no DF

Menino de 4 anos é achado morto no Pará

Todos os casos acima foram relatados em um único dia por um único portal. Por que só ela merece tanto destaque da mídia?

Crianças e jovens como protagonistas da violência Março 31, 2008

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Crianças e adolescentes foram os protagonistas, sendo a maioria como vítimas, de alguns dos principais casos de violência por todo Brasil neste final de semana. Em Guapimirim, no Rio, uma criança de um ano e três meses foi covardemente espancada pelo padrasto até a morte. Já em Belo Horizonte, um adolescente de 16 anos, matou a mãe com um tirpo acidental. Como a arma foi parar na mão deste jovem, é a questão.

E em São Paulo aconteceu um homicídio que costuma monopolizar toda a atenção da mídia. Uma menina de apenas cinco anos foi arremesada pela janela de um apartamento que fica no sexta andar de um prédio. Antes de ser jogada, ela foi agredida, conclusão da polícia, já que havia sangue no local. E a tela de proteção foi cortada. Para a polícia, um grande mistério a ser revolvido.

Mas a maior prova do quanto as nossas crianças e jovens estão expostos à violência veio do Rio Grande do Sul. O delegado que prendeu o adolescente que se auto-imputou o assassinato de 12 pessoas já relativizou essa admissão de culpa. No Fantástico, na noite deste domingo (30), o delegado admitiu que o adolescente pode estar assumindo a culpa por algumas mortes no lugar de bandidos mais velhos. Como é menor de idade, ele não pode ser julgado por tais crimes, que seriam considerados resolvidos, deixando livre os reais responsáveis.

A própria Globo já mudou o tom da conversa ao colocar um especialista para dizer que é preciso realizar um trabalho social e educativo com este jovem e a sua família, para recuperá-lo para o sociedade. Em matéria anterior, durante a semana, o especialista entrevistado defendia a redução da maioridade penal.

E ele só tinha 16… Março 28, 2008

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Dezesseis anos apenas. E, de forma bravateira, se gaba de carregar 12 mortes nas costas. Ao menos pela notícia do Jornal Nacional, também veiculada pelo G1, todos os crimes foram por vingança. Contra a última vítima, um comerciante de 39 anos, deu um tiro na cabeça. Não satisfeito, disparou mais 19 vezes.

Não há dúvidas de que não há muito o que se fazer para tentar recuperar um jovem destes e devolvê-lo à sociedade. Este adolescente, assim como o tal de Champinha, tem mais é que mofar em alguma cela e executar trabalhos pesados para o resto da vida. Só não pode ser utilizado como exemplo – são exceções, não regra – para a redução da maioridade penal. Nestas ocasiões, há sempre os oportunistas de plantão para defender tal tese. Cabe a todos os segmentos da sociedade iniciar uma discussão isenta de paixão e encontrar uma solução sensata para que essas ‘exceções’ sejam retiradas do convívio com nós, meros mortais, que só querem saber de viver em paz.