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Violência explode em Heliópolis Setembro 5, 2009

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ônibus incendiado em Heliópolis

ônibus incendiado em Heliópolis

Mais uma ação policial resultou em morte de uma inocente nas ruas de São Paulo. Mais uma reação desmedida da população, desta vez na favela de Heliópolis, a maior da América Latina. E mais uma vez fica comprovado que a Segurança Pública faliu de vez em São Paulo.  Basta contabilizar os números de mortos, de ônibus depredados, da violência como um todo, nos últimos anos.  Enfim, não há muito mais o que dizer.  As imagens de Heliópolis falam por si só. Quem estava lá sabe o que estou querendo dizer.

Área conflagrada; uma cidade em guerra

Área conflagrada; uma cidade em guerra

Ah, depois de engolir um sapo ao ser chamado de cozinheiro pelo ministro do STF Gilmar Mendes, decidi voltar a escrever neste espaço. Para o azar sei lá de quem.

 

 

Tropa de choque em ação; sem dó nem piedade

Tropa de choque em ação; sem dó nem piedade

Policiais de folga matam mais em 2009 Junho 8, 2009

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A edição desta segunda-feira (8) da Folha de S.Paulo (apenas para assinantes da Folha e do UOL, infelizmente) traz matéria assinada pelos competentes repórteres Luís Kawaguti e André Caramante com um levantamento das mortes de civis por policiais de folga no primeiro trimestre de 2009. Foram nada menos do que 45 mortes em 2009 – 95% a mais que no mesmo período do ano passado. Foram contabilizadas desde mortes motivadas por brigas em bares, no trânsito, entre familiares, até situações em que os PMs dizem ter matado ao reagir a um roubo quando estavam fora do trabalho, muitas vezes em “bicos” como segurança, algo proibido por lei.

O que isso quer dizer? Sinceramente, já disse aqui que não sou especialista em segurança e muito menos em psicologia. Mas me parece que falta preparo aos homens e mulheres que se candidatam à força policial nos estados. Falta, além de saber preparar o policial, preparar o ser humano para ser policial. Apenas assim este policial saberá o momento certo que tem de portar uma arma e quando deverá usá-la de fato.

Conceito infeliz: ‘direitos humanos só defendem bandidos’ Maio 28, 2009

Posted by Mora in Violência policial, corrupção, Índices e estatísticas.
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Foi divulgado nesta quinta-feira (28) o Relatório Anual da Anistia Internacional (organização não governamental que luta por direitos humanos em todo o mundo) em 2008. Em entrevista ao portal UOL, o coordenador da Anistia Internacional para assuntos brasileiros, o britânico Tim Cahill, afirmou que “existe um conceito infeliz no Brasil que é que os direitos humanos só defendem bandidos”.

Infelizmente, não há como deixar de concordar com ele. E as pessoas que mais proferem tal absurdo são as que mais têm seus direitos violados neste país. Mesmo assim, manipuláveis que são dada suas condições de excluídos e marginalizados, perpetuam e propagam um discurso reacionário que só interessa a uma elite encastelada no poder – político e econômico – deste país.

Como consequência, várias ações governamentais no Brasil acabam sendo executadas para satisfazer àqueles que não acreditam nos direitos humanos, segundo o ativista. Os exemplos são vários e estão citados na matéria do UOL. O fato a ser destacado é que a situação econômica do país melhorou, mas neste quesito específico dos direitos humanos só faz retroceder cada vez mais a cada dia, o que significa que não basta a um país apenas crescer. É preciso distribuir renda, dar educação, saúde e mais oportunidades de emprego e custeio da vida. Do contrário, continuaremos a viver em um país onde nossos direitos não são respeitados. Nem menos pelo Estado, o responsável por fazer valer boa pate destes direitos.

Rotina de violência e impunidade na periferia de SP Maio 27, 2009

Posted by Mora in Violência policial, homicídio.
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Paraisópolis em fevereiro. Favela do Tiquatira no início de maio. E agora Vila Jacuí. O roteiro se repete. E explode em violência. Nos três casos, policiais teriam prendido um traficante local e este, em represália, ordenou que vândalos dessem início a manifestações, com carros e ônibus incendiados, em prejuízo da população. No dia seguinte, um rastro de destruição pelas ruas. Os moradores dos arredores contabilizam os prejuízos e manifestam os seus temores, cada vez maiores.

O que surpreende nos três casos é a capacidade dos traficantes em articular os seus ’soldados’ e detonar um protesto violento. Quando as imagens flagram, são sempre rostos de adolescentes, entre sorridentes e revoltados, protagonizando as cenas de vandalismo, como os que arremesavam coquetéis-molotov de gasolina na Vila Jacuí. Barbarizam até a chegada das forças de choque da Polícia Militar. Sabem que a partir deste momento o pau vai comer. Em seguida, se recolhem e tudo volta à sua ‘normalidade’.

No caso desta terça-feira, o agravante foi a morte do traficante em uma cela de um Distrito Policial no extremo da Zona Leste. É praxe que se retire os cadarços do tênis ou sapato quando é levado para uma cela. O delegado jurou de pés juntos que o procedimento foi adotado. Bancando o McGyver, aquele do seriado famoso de televisão, o traficante, de sua cela, com um pedaço de papelão, conseguiu puxar o cadarço e se enforcar pendurado na porta. Ou seja, cometeu suicídio. Assim, sem qualquer motivo, tirou a própria vida. De qualquer modo, ele estava sobre a custódia do estado, que deveria ter zelado pela vida dele. Não foi o que aconteceu.

Se o estado não zela por alguém debaixo do seu próprio nariz, como conseguirá conter a fúria de jovens revoltosos e manipulados em eventos violentos que, com certeza, hão de vir? E quem acredita que alguém será punido nestes episódios? O filme é repetido: rotina de violência e impunidade na periferia de São Paulo.

AL e ES, os mais violentos de 2008 Maio 22, 2009

Posted by Mora in Violência policial, chacinas, homicídio, Índices e estatísticas.
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Ao menos pela Folha de S. Paulo, os estados das Alagoas e do Espírito Santo foram os mais violentos em 2008, em um ranking que leva em consideração a soma de assassinatos, latrocínios e lesões seguidas de morte, inclusive homicídios decorrentes de confrontos com policiais. Estes estados superaram até mesmo o Rio de Janeiro e Pernambuco, que caíram para 3º e 4º, respectivamente. O último levantamento havia sido feito em 2005.

A conclusão, de qualquer modo, é que a violência aumentou, de um período ao outro, nos quatro estados. Ou seja, aumentou o número de mortes. No Rio, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 40,5 (2005) para 45,1 (2008); em Pernambuco, de 48 para 51,6. No Espírito Santo,  foi de 37,7 para 56,6; e em Alagoas, de 37,2 para 66,2.

Para justificar o aumento da violência em Alagoas, o secretário de Justiça José Paulo Rubim culpou a pistolagem e as drogas. É como culpar a chuva pelas enchentes no Nordeste. Ou em qualquer outra região. Todo mundo sabe que um dia as águas vão cair, mas ninguém toma providências preventivas. Afinal, vão cair de um jeito ou de outro. Refiro-me a uma visão fatalista – ou a uma falta de visão mesmo. Enfim, se há uma “cultura da pistolagem” e tráfico de drogas é porque a polícia nada fez para coibir este tipo de crime. Ou seja, não está cumprindo o seu papel.

Curiosamente, o secretário não comentou sobre a greve que paralisou a polícia civil do estado por alguns meses no ano passado. O inferno são sempre os outros…

Crimes de maio: três anos depois, o esquecimento Maio 18, 2009

Posted by Mora in Violência policial, homicídio, Índices e estatísticas.
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crimes de maioRecordo-me daquela madrugada em um dia de maio retornando para casa depois de um jogo de futebol society com os amigos seguido, claro, de várias cervejas. Eram quase 4h da madrugada, quando fomos expulsos da lanchonete da quadra e tivemos que nos dirigir à Avenida Robert Kennedy, na região de Socorro, na Zona Sul de São Paulo. Vinha dirigindo tranquilamente quando dezenas de homens fortemente armados, com escopetas, sub-metralhadoras, fuzis, pistolas, e vestidos de preto, surgiram correndo de um lado para outro, em uma cena no mínimo inusitada. Logo adiante um carro batido estava cercado por policiais. Segui em frente, sem me ater a muitos detalhes, pois dado o avançado da hora e a quantidade de cerveja ingerida (ainda não havia Lei Seca), só me restava concentração para manter o foco na direção e no caminho de casa.

No dia seguinte, tomei conhecimento da dimensão do ocorrido. O PCC tinha iniciado uma série de ataques a policiais em protesto contra o regime diciplinar mais duro nas penitenciárias e o cancelamento do indulto do Dia das Mães para alguns chefes da facção. Na Avenida Robert Kennedy, parece que um delegado havia sido morto por capangas do PCC. Ao todo, a facção fez 46 mortos em maio de 2006. Os ataques, inclusive com a queima de ônibus, obrigaram as autoridades até mesmo a estabelecer o toque de recolher, algo surreal em uma cidade como São Paulo, que funciona 24 horas por dia.

E a reação das forças policiais não poderia ser mais truculenta: saiu matando a esmo e no atacado. O saldo da “guerra civil” foi de 493 mortos, a grande maioria vítimas de uma espécie de execução sumária. Pela conta, para cada policial morto, mais de nove “civis”, bandidos ou não, foram executados pela polícia ou qualquer outro tipo de poder paralelo.

Três anos depois daquele maio sangrento ninguém foi julgado ou preso, tanto de um lado quanto de outro, por tanta violência e mortes. E aos poucos vai caindo no esquecimento, como tantas outras atrocidades neste país. Ao menos o UOL deu matéria sobre o assunto que vale a pena ser lida. É assinada pelo Rodrigo Bertolotto.

Spinoza responde à Folha Abril 11, 2009

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Como tratei do assunto no post anterior, faço questão de postar aqui a resposta de Antonio Spinoza, ex-dirigente do VAR-Palmares, grupo paramilitar ao qual a atual ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, fez parte na época da ‘Ditabranda’, como prefere a Folha de S.Paulo. Que os leitores deste blog, se é que os há, tirem suas próprias conclusões:

Resposta de Spinoza:

“Em respeito à inteligência dos leitores, e para amenizar os danos à imagem e à honra da ministra Dilma Rousseff, aceitei a proposta do editor deste “Painel do Leitor” para escrever uma nova carta, num espaço exíguo, mas sob o compromisso de publicação na íntegra.
Segundo seu editor, o “Painel do Leitor” só publica cartas inéditas, e a que enviei, ainda no domingo, mas não publicada na edição de segunda-feira, como seria de esperar de um jornal sério, já repercutiu reproduzida em outros veículos de imprensa, cuja leitura recomendo.
Para os leitores que tiverem interesse, dou três endereços: www.paulohenriqueamorim.com.br, http://colunistas.ig.com.br/luisnassif e www.zedirceu.com.br. Sob o título geral “Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto” (Brasil, 5/4), a Folha utilizou-se de uma entrevista por telefone a uma jovem repórter. Lamento que o maior jornal brasileiro use a fonoportagem, o lamentável e preguiçoso vício da “investigação” por telefone.
Segundo os editores, o sequestro de Delfim Netto em 1969 “chegou a ter data e local definidos”. A que hora e em que local, então, ocorreria? A Folha não informa. O mais grave: acusa a ministra pela ação, lançando uma sórdida anticampanha contra a sua virtual candidatura a presidente. É possível que Dilma, pelas suas tarefas na organização, sequer tenha sido informada sobre o levantamento realizado. Entretanto, a edição oportunista transformou um não fato do passado (o sequestro que não houve) num factoide do presente (o início de uma sórdida campanha), que vai desacreditar ainda mais o jornal da “ditabranda”.
Esclareço que Dilma pertencia, sim, à VAR-Palmares, e era uma militante séria, corajosa e humana, mas que era uma militante somente com ação política, ou seja, sem envolvimento em empreendimentos armados. E digo isso com a autoridade de quem era o responsável pelo setor militar da organização, assumindo a responsabilidade política e moral pelas iniciativas da VAR-Palmares.
Por isso, desafio a Folha a esclarecer todos os pontos nebulosos da reportagem de domingo e a publicar a íntegra da entrevista, de mais de três horas, para que os leitores a comparem com a imundície publicada, que constitui um dos momentos mais tristes da liberdade de imprensa e uma vergonha para a imprensa brasileira.”
ANTONIO ROBERTO ESPINOSA, jornalista, doutorando em ciência política pela USP (São Paulo, SP)

Resposta da repórter Fernanda OdillaA reportagem não afirmou que Dilma Rousseff planejou o sequestro de Delfim Netto. Trouxe, sim, declarações do ex-dirigente da VAR-Palmares, que, pela primeira vez, assumiu que o plano existia e que ele foi seu coordenador. À Folha, Espinosa disse que, no final de 1969, todas as tarefas (as “políticas” e o “foco guerrilheiro”) da VAR “eram do comando nacional”, citou três vezes Dilma Rousseff como um dos cinco integrantes desse colegiado e, indagado pela Folha em diferentes momentos, afirmou que “os cinco sabiam” do plano de sequestro e que “não houve nenhum veto” deles à ideia. Todas as suas declarações estão gravadas. Na entrevista, Espinosa informou que o sequestro ocorreria num sítio no interior de São Paulo em dezembro de 1969 -informação que reiterou, com mais detalhes, em posterior troca de e-mails com esta repórter.

Nota da Redação – A primeira carta do missivista chegou à Redação às 21h58 do domingo; o “Painel do Leitor” fecha às 20h.

Ditadura Nunca Mais!! Abril 10, 2009

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dilma2010, ano eleitoral, está chegando e o diário Folha de S.Paulo parece fazer um ”revisionismo” da história, mais precisamente do período que se refere à ditadura militar que passou a governar o país a partir de 1964. Primeiro, a Folha, em editoral, chamou a ditadura de “ditabranda”, como se fosse possível mensurar uma ditadura em relação à outra. ‘Ditabranda’ por quê? Por que não mataram oposicionistas suficiente como em outras ditaduras? Por que os militares abusaram da tortura mas foram ‘benevolentes’ e permitiram que muitas vozes contrárias tivessem como única opção o exílio? Enfim, gostaria de saber qual o parâmetro utilizado pela Folha para distinguir uma ditadura de uma ditabranda.
Na edição de domingo (05/04), mais um passo ‘revisionista’: ‘Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto’. Dilma é a atual ministra da Casa Civil e provável candidata de Lula à presidência em 2010. Não é segredo para ninguém que Dilma Roussef pegou em armas para combater a tal “ditabranda” nos anos de chumbo. Foi capturada e torturada durante 22 dias. Delfim Netto, na ocasião, era ministro da Fazenda dos militares. O país então navegava em águas calmas, ao menos no que se refere a economia, e crescia a quase 10% ao ano, índice que, de certa forma, explica por que durou tanto a ‘ditabranda’. Atualmente, Delfim Netto é aliado de Lula. Reviravoltas na vida que só quem é político assimila ou engole tais situações.

O que chama a atenção, no entanto, é que Dilma Roussef, em uma longa entrevista, negou de “forma peremptória” que o grupo à qual ela pertencia, o VAR-Palmares, tivesse planejado o sequestro do então ministro da Fazenda.
A manchete se baseia em declaração de Antonio Spinoza, que fez parte do mesmo grupo armado de Dilma, e até em um mapa feito à mão onde supostamente ocorreria o sequestro. A repórter citou ainda o livro “Os Carbonários”, de Alfredo Sirkis, e Iara (Iavelberg), de Judith Patarra. Em nenhum deles, há aconfirmação de tal fato, no entanto. Apesar da negativa “peremptória” da ministra, a Folha atribuiu mais peso à declaração de Spinoza e a documentos das Forças Armadas e, claro, bancou a manchete. A Folha se deu ao trabalho, inclusive, de entrevistar um militar da reserva, que fez parte da Operaçao Bandeirante (Oban) e que teceu “elogios” à ministra ao menos enquanto “guerrilheira”. Tudo para dar mais veracidade à matéria e dar sustentação à matéria. Ou seja, para mostrar quem é a presidenciável de Lula vale até entrevistar torturador. Mais um pouco e a Folha é capaz até mesmo de justificar a tortura sofrida por Dilma Roussef. Pois é disso que se trata: para a Folha um suposto plano de sequestro do ministro da Fazenda, negado peremptoriamente, é mais importante do que os 22 dias de tortura sofridos pela ministra. Por que não ir atrás e mostrar quem eram estes torturadores e a mando de quem eles agiam? A violência praticada pelo Estado é a mais nefasta que pode existir.

TORTURA NUNCA MAIS! DITADURA NUNCA MAIS!

10 mortos em operação no Rio Fevereiro 5, 2009

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Fazia tempo que a polícia carioca não recorria a uma das suas famosas operações, destas que deixam um rastro de sangue e morte. Nesta quarta-feira (4), a operação aconteceu nas favelas da Coreia, Taquaral e Rebu, na zona oeste, com os resultados de sempre: nada menos do que 10 mortos. Curiosamente, o número de vítimas fatais é maior do que o de presos, sete no total, sendo que apenas um deles tinha antecedentes criminais.

A explicação para tantas mortes é a de sempre também: resistência à prisão. A frase do chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro, é lapidar: “Não temos dúvidas que os mortos eram bandidos, pois trocaram tiros com a polícia”. A inferência é mais do que óbvia: se eram bandidos, mereciam morrer, de preferência sem qualquer julgamento.

A justificativa pode até ser válida, mas não convence, pois sempre ficam algumas perguntas no ar: se resistiram à prisão, se houve troca de tiros, por que as perdas foram todas de um lado só? Nenhum policial ferido? Nenhum bandido ferido? Só bandidos mortos?

Sinceramente, é incompreensível como todo uma sociedade aceita passivamente, sem qualquer tipo de questionamento, que uma polícia de um estado tão importante quanto o Rio de Janeiro atue com o dedo tão frouxo no gatilho. Enfim, silenciar é o que resta…

Quando a violência explode Fevereiro 3, 2009

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Blindado da Tropa de Choque da PM invade a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo
Blindado da Tropa de Choque da PM invade a favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo

Favelas nas grandes cidades são barris de pólvora prestes a explodir, o que acontece com certa frequência no Rio de Janeiro e começa, aos poucos, a se tornar rotina também em São Paulo. A mistura explosiva é um misto de desemprego, baixa instrução escolar, tráfico de drogas, violência doméstica, falta de infraestrutura e de opções de lazer e, claro, uma absoluta ausência de estado, que deixa de suprir várias destas necessidades em uma região extremamente carente.

 

Para acender o estopim e incendiar esta mistura, basta um aceno de mão de traficantes, cientes das plenas frustrações que toda uma geração perdida de jovens carrega, sem quaisquer expectativas de futuro a não ser o de seguir a mesma trilha no tráfico. O resultado são dezenas de jovens enfurecidos e dispostos a destruírem tudo o que veem pela frente, como carros e lojas, sem qualquer motivo que justifique tais atos. Puro vandalismo.

 

Os relatos dos moradores da favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, são bem parecidos: dezenas de jovens, como hordas bárbaras, ameaçando, roubando, destruindo tudo o que viam pela frente. E o estado completamente ausente, incapaz de apagar o rastilho da pólvora antes da explosão. Depois da terra arrasada, vem a resposta, desproporcional e na direção errada: a tropa de choque, com todo o seu aparato e os blindados, tipo “Caveirão”, que fez fama junto com o Bope, invade a favela e espalha mais terror.

 

E para deixar claro que o estado finalmente se fez presente, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, vai até o local para afirmar que a situação é grave, “mas que está controlada”. De repente, uma frase enigmática: “Não podemos responder violência com violência. Temos de responder dentro da legalidade. É o preço que se paga”. Que preço é esse que se paga? Seria o preço da ausência de estado, que não cumpre o seu papel!? E quando resolve cumprir é tarde demais? Mais Paraisópolis virão. E com cada vez mais frequencia… É o preço que pagamos.